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Exame de Ordem 48: o que já se sabe e como usar os meses até a prova

O 47º acabou e o próximo já tem data. Este guia reúne o calendário conhecido do 48º Exame, o que fazer nas semanas até o edital sair e um plano de estudo de setembro até janeiro — inclusive para quem não bateu os 40 acertos.

Atualizado em 10 min de leitura

O calendário do 48º Exame, com o que é oficial e o que não é

A prova objetiva da 1ª fase do 47º Exame de Ordem foi aplicada em 6 de setembro de 2026, e o resultado preliminar está previsto para 23 de setembro. Quem passou já olha para a 2ª fase; quem não passou tem uma decisão a tomar, e ela é mais simples do que parece.

Para o 48º Exame, o calendário divulgado pelo Conselho Federal da OAB traz duas datas que mudam o seu plano:

EtapaData
Publicação do edital do 48º Exame21 de setembro de 2026
Prova objetiva da 1ª fase10 de janeiro de 2027
Prova prático-profissional (2ª fase)28 de fevereiro de 2027

Na prática: entre hoje e a prova objetiva existem cerca de 18 semanas. É bastante tempo — o suficiente para cobrir o conteúdo com folga — e é exatamente por ser bastante tempo que a maioria o desperdiça esperando o edital sair.

Confira sempre no edital. As datas acima constam do calendário divulgado pelo Conselho Federal da OAB, mas calendário pode ser alterado e é o edital publicado que manda. Quando ele sair, leia o documento inteiro: inscrições, taxa, prazo de isenção, condições especiais e locais de prova saem só ali.

Esperar o edital para começar é o erro mais caro do período

É comum tratar a publicação do edital como largada. Na 1ª fase do Exame de Ordem isso não faz sentido, e a razão é objetiva: o edital da 1ª fase não traz conteúdo programático por tópico. Ele lista as disciplinas cobradas, as regras da prova e o calendário — não uma lista de assuntos que permita montar cronograma.

Ou seja: no dia da publicação você não vai descobrir o que estudar. Vai descobrir prazos e taxas. O que estudar já está disponível hoje, e vem de outro lugar: das provas anteriores.

Quem começa agora chega em janeiro com dezoito semanas de estudo. Quem espera o edital, e depois espera a inscrição, chega com doze — e nas piores doze, as que incluem o fim do ano, as festas e o cansaço acumulado.

Se você não passou no 47º: os quinze dias que mais rendem

Não passar dói, e nenhum guia muda isso. Mas existe uma janela curta, logo depois da prova, em que o estudo rende muito mais do que renderá em qualquer outro momento — e ela dura mais ou menos quinze dias, enquanto a prova ainda está fresca na cabeça.

  1. Refaça a sua prova com o gabarito ao lado, sem cronômetro. Não é para conferir a nota — você já sabe a nota. É para separar as questões em três grupos: as que errou por não saber a matéria, as que errou por ter lido rápido, e as que errou por ter caído num distrator bem construído. São três problemas diferentes, e só o primeiro se resolve estudando conteúdo.
  2. Conte quantos pontos faltaram. Faltar dois acertos e faltar quinze são situações completamente diferentes. Quem ficou perto precisa de ajuste fino em poucas disciplinas; quem ficou longe precisa de plano do zero. Tratar as duas do mesmo jeito é tomar remédio sem diagnóstico.
  3. Anote as disciplinas em que você errou mais da metade. Essa lista, escrita agora, vale mais que qualquer cronograma pronto da internet — porque ela é sua.
  4. Descanse uma semana de verdade. Não é preguiça, é método: dezoito semanas começando exausto rendem menos que dezessete começando inteiro.

Sobre recurso contra o gabarito: cabe, é gratuito e vale a pena quando existe fundamento real — questão com duas respostas defensáveis, enunciado ambíguo, tema fora do edital. Não vale como aposta. Se a sua diferença for de vários pontos, o recurso não resolve, e o tempo gasto nele sai do estudo do 48º.

Como é a prova: 80 questões, 5 horas e um corte de 40

A 1ª fase é uma prova objetiva com 80 questões de múltipla escolha, quatro alternativas cada, aplicada em 5 horas. A aprovação exige 50% dos pontos, conforme o Provimento 144/2011 do Conselho Federal da OAB — ou seja, 40 acertos.

Vale internalizar o que esse número quer dizer: você pode errar 40 questões e ser aprovado. Metade da prova. Não existe nota de corte por disciplina, não existe eliminação por zerar uma matéria, e todas as questões valem exatamente o mesmo.

Isso muda o plano de estudo de três maneiras:

  • Nenhuma disciplina vale mais que outra por prestígio. O peso de uma matéria é só a quantidade de questões que ela ocupa no caderno.
  • Profundidade excessiva em matéria pequena é prejuízo. Duas semanas dedicadas a uma disciplina que rende duas questões são duas semanas mal investidas.
  • A meta não é acertar tudo. É montar um conjunto de disciplinas que, somadas, entreguem 40 acertos com folga — e deixar as pequenas para o fim.

Sobre as 5 horas: dá cerca de 3 minutos e 45 segundos por questão. Parece confortável até lembrar que os enunciados da FGV são casos narrados, com várias linhas antes da pergunta. Tempo é parte do treino, não detalhe.

Quanto pesa cada disciplina, segundo os quatro últimos exames

Como o edital não publica distribuição de questões por disciplina, a única forma confiável de estimar o peso de cada matéria é contar nos cadernos já aplicados. Conferimos os Exames 43º, 44º, 45º e 46º, questão por questão, e a distribuição se repetiu nos quatro:

DisciplinaQuestõesPosição
Ética Profissional e Estatuto da OAB81 a 8
Filosofia do Direito29 e 10
Direito Constitucional611 a 16
Direitos Humanos217 e 18
Direito Eleitoral219 e 20
Direito Internacional221 e 22
Direito Financeiro223 e 24
Direito Tributário525 a 29
Direito Administrativo530 a 34
Direito Ambiental235 e 36
Direito Civil637 a 42
Estatuto da Criança e do Adolescente243 e 44
Direito do Consumidor245 e 46
Direito Empresarial447 a 50
Direito Processual Civil651 a 56
Direito Penal657 a 62
Direito Processual Penal663 a 68
Direito Previdenciário269 e 70
Direito do Trabalho571 a 75
Direito Processual do Trabalho576 a 80

Isto é levantamento nosso, não regra da banca. A FGV não publica tabela de distribuição e não se compromete com ela: a prova pode mudar. Use como bússola de prioridade, nunca como certeza, e confira as disciplinas listadas no edital do seu exame.

Lendo a tabela com o corte de 40 na cabeça, aparece o desenho do plano: as dez maiores disciplinas somam bem mais que 40 questões. Quem domina Ética, Constitucional, Civil, Processo Civil, Penal, Processo Penal, Tributário, Administrativo, Trabalho e Processo do Trabalho está disputando 54 questões — e precisa de 40.

Ética: as oito primeiras, e o melhor retorno por hora estudada

Ética Profissional e Estatuto da OAB abre o caderno com oito questões — a maior fatia da prova. E é, ao mesmo tempo, a disciplina que a maioria dos candidatos menos estudou na faculdade.

Três motivos fazem dela o melhor investimento de tempo por questão:

  • É delimitada. Estatuto da Advocacia, Regulamento Geral e Código de Ética e Disciplina formam um conjunto fechado de textos. Você chega ao fim dele, o que não acontece em Civil ou Penal.
  • Ela abre a prova. São as questões que você resolve com a cabeça mais fresca, antes de qualquer cansaço.
  • A banca cobra caso, não definição. Honorários, sigilo, publicidade, impedimento, conflito de interesses. Quem lê o texto seco decora; quem resolve caso reconhece.

A armadilha que mais derruba gente aqui é supor que a autorização do cliente resolve tudo. Nem sempre resolve — e é exatamente nesse ponto que a banca gosta de montar o distrator.

O plano de setembro a janeiro, semana a semana

Dezoito semanas, para quem trabalha e estuda. O plano abaixo pressupõe cerca de 10 a 12 horas semanais e não exige nenhum material que você ainda não tenha.

  1. Semanas 1 e 2: Ética completa, do zero ao fim, com questões reais dos exames anteriores ao lado da leitura. Terminar Ética no começo é o que dá tranquilidade para o resto.
  2. Semanas 3 a 6: os quatro grandes blocos de seis questões — Constitucional, Civil, Processo Civil e Penal. Um por semana, sempre fechando com questões aplicadas.
  3. Semanas 7 e 8: Processo Penal e Direito do Trabalho.
  4. Semanas 9 e 10: Processo do Trabalho, Tributário e Administrativo.
  5. Semana 11: primeiro simulado completo, 80 questões, cronometrado em 5 horas. Não é para medir nota — é para descobrir onde o seu tempo escapa.
  6. Semanas 12 a 14: Empresarial e as disciplinas de duas questões, em bloco. Elas são muitas e cada uma é rasa: tratadas juntas, rendem bem.
  7. Semana 15: segundo simulado completo e revisão do caderno de erros.
  8. Semanas 16 e 17: revisão dirigida pelos seus erros, não pelo cronograma. Só as matérias em que você errou mais.
  9. Semana 18: terceiro simulado, revisão de Ética e descanso nos dois dias anteriores à prova.

Com menos tempo que isso, corte pelas pontas: mantenha Ética e os blocos de seis questões, e aceite perder as disciplinas de duas. É uma troca consciente, com a matemática do corte a favor.

O que fazer no dia em que o edital sair

O edital é um documento operacional. Com uma lista na mão, em uma hora você resolve tudo o que ele exige:

  • Prazo de inscrição e valor da taxa. Anote a data final no celular, com alarme dois dias antes.
  • Prazo de isenção, se for o seu caso. Costuma ser bem mais curto que o de inscrição, e é o item que mais gente perde.
  • Cidade de prova. Confira as opções antes de escolher, e considere deslocamento e hospedagem.
  • Atendimento especial, se você precisar: lactante, condição de saúde, acessibilidade. Exige documentação e tem prazo próprio.
  • Disciplinas cobradas. Compare com a tabela deste guia. Se alguma disciplina entrar ou sair, o seu plano muda.

Feito isso, volte a estudar. O edital não é evento, é formulário.

Cinco erros que custam o Exame de Ordem

  • Estudar por resumo de resumo. Material de terceira mão perde justamente o que a FGV cobra: o detalhe do caso concreto. Prefira a lei comentada e questão aplicada.
  • Resolver questão solta em vez de prova inteira. Questão avulsa treina conteúdo; caderno inteiro treina resistência, ritmo e a ordem em que o cansaço chega.
  • Deixar as disciplinas pequenas para o fim e nunca chegar nelas. Elas somam 18 questões nos quatro exames que conferimos. Não decidem sozinhas, mas desempatam.
  • Não fazer simulado cronometrado. Quem descobre o próprio ritmo no dia da prova descobre tarde.
  • Estudar sem gabarito oficial. Questão sem fonte pode estar apoiada em lei revogada ou em gabarito de terceiro. Antes de confiar, pergunte: qual banca aplicou, em que ano, e onde está o gabarito oficial?

Por onde começar esta semana

Sem esperar edital, sem esperar inscrição, sem esperar segunda-feira:

  1. Hoje: resolva as oito questões de Ética do último exame que você tiver em mãos, com o gabarito oficial ao lado. São oito questões, leva menos de trinta minutos, e já dizem onde você está.
  2. Esta semana: leia o Código de Ética e Disciplina inteiro, uma vez, sem pressa de decorar.
  3. Semana que vem: comece o bloco de Constitucional, e mantenha as questões de Ética como aquecimento diário.

Para entender o estilo da banca antes de tudo, veja Banca FGV na OAB: o estilo das questões e como treinar. Para a estrutura completa da prova, veja Exame de Ordem 1ª fase: como é a prova e o que estudar.

Perguntas frequentes

Quando sai o edital do 48º Exame de Ordem?

O calendário divulgado pelo Conselho Federal da OAB prevê a publicação do edital do 48º Exame para 21 de setembro de 2026. Calendário pode mudar: confirme no site oficial da OAB e leia o edital quando for publicado, porque é ele que fixa prazos, taxa e locais de prova.

Quando é a prova da 1ª fase do 48º Exame?

A prova objetiva da 1ª fase está prevista para 10 de janeiro de 2027, e a prova prático-profissional da 2ª fase para 28 de fevereiro de 2027, conforme o calendário do Conselho Federal da OAB.

Quantas questões preciso acertar para passar na 1ª fase?

Quarenta. A prova tem 80 questões e a aprovação exige 50% dos pontos, conforme o Provimento 144/2011 do Conselho Federal da OAB. Não há nota mínima por disciplina: todas as questões valem o mesmo.

Já dá para estudar antes de o edital sair?

Sim, e é o que mais rende. O edital da 1ª fase não traz conteúdo programático por tópico: ele lista disciplinas, regras e datas. O que estudar vem das provas anteriores, que já estão publicadas. Esperar o edital custa cerca de seis semanas de estudo.

Não passei no 47º. Vale a pena recorrer do gabarito?

Vale quando existe fundamento real, como questão com duas respostas defensáveis ou tema fora do edital, e o recurso é gratuito. Não vale como aposta: se a diferença for de vários pontos, o tempo gasto no recurso sai da preparação para o 48º.

Quanto tempo por dia é preciso estudar até janeiro?

Entre setembro e a prova de janeiro há cerca de 18 semanas. Com 10 a 12 horas semanais, algo como duas horas em cinco dias, dá para cobrir todas as disciplinas e ainda fazer três simulados completos. O que decide não é a carga diária, e sim não zerar semanas.

Fontes

  • Calendário oficial do Exame de Ordem Unificado publicado pelo Conselho Federal da OAB
  • Provimento 144/2011 do Conselho Federal da OAB, que fixa a aprovação em 50% dos pontos da prova objetiva
  • Cadernos de prova e gabaritos oficiais dos Exames 43º a 46º publicados pela FGV

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